25 de outubro de 2017

O narcotráfico não acaba porque financia campanhas políticas, diz traficante Marcinho VP

O detento 37 deixa o pátio onde jogava bola com outros presos, em uma tarde ensolarada de outubro, para ser escoltado por um agente penitenciário.



Ele é levado até uma sala dividida ao meio por uma grade de ferro dentro das instalações do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN) — cidade com 295 mil habitantes localizada no semiárido nordestino. Condenado a um total de 48 anos de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas e por ser mandante de dois assassinatos, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, conhece os procedimentos do sistema penitenciário federal: são 21 anos ininterruptos passando por prisões, mais da metade de sua vida.

Vira-se para a parede e as algemas são retiradas pelo agente. Senta-se na cadeira à espera das perguntas do UOL, em uma entrevista exclusiva de duas horas. Ouve-se o barulho da disputa renhida do futebol no pátio. Marcinho VP sorri.

O uniforme azul pálido transparece o suor dele. “A gente precisa aproveitar o pouco tempo que tem fora da cela”, diz aquele que é apontado pelas autoridades da segurança pública como um dos chefes do Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Rio de Janeiro, fundada em 1979. “Isso é folclore”, diz. Marcinho VP gosta de escrever.