4 de abril de 2017

Presídio em Goiás tinha motel construído pelos próprios presos

Pode até parecer piada, não fosse sério. Presos da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), em Aparecida de Goiânia (GO), construíram e usufruíam de um motel com 112 quartos. A obra foi executada por eles, mas a Justiça mandou demolir as instalações e determinou o bloqueio de bens dos administradores da unidade.

Presídio em Goiás tinha motel construído pelos próprios presos: Maior parte dos recursos para a obra foi bancada por um detento

O mais incrível é que a maior parte dos recursos para a obra foi bancada por um detento, Thiago César de Sousa, conhecido como Thiago Topete, que faleceu durante um confronto no presídio em 23 de fevereiro deste ano.

As instalações eram usadas como espaços de visitas íntimas, mas há informações de que algumas das "unidades" eram alugadas para terceiros e a renda proveniente dividida entre administradores e detentos. O diretor do POG, Marcos Vinicius Alves, e o superintendente de Segurança Prisional da Administração Presidiária, João Carvalho Coutinho Jr., foram afastados do cargo.

Inicialmente ambos tiveram bens bloqueados no valor de R$ 17.903, como forma de indenizar o erário público pela obra de demolição desses espaços. A desembargadora Beatriz Franco, no entanto, aumentou o bloqueio para R$ 1,92 milhão para Marcos Vinicius, responsável pela construção, e para R$ 1,49 milhão no caso de João Carvalho, por omissão. A desembargadora atendeu a recurso do Ministério Público apresentado pelo procurador Fernando Krebs. Na justificativa, o procurador argumentou que o valor deveria ser significativamente corrigido para "servir de exemplo" e evitar a repetição desse desvio de conduta. Outra argumentação é que a obra colocou em risco a integridade física dos presos, uma vez que ela foi feita pelos próprios detentos sem qualquer supervisão técnica de engenharia.