5 tributos que você não faz ideia que existem, mas está pagando

Considerado o pior colocado em uma lista que avalia o retorno sobre os impostos pagos, o Brasil ainda é um país de contrastes quando o assunto é carga tributária. Apesar de 68% dos brasileiros considerarem que pagam impostos demais, 1 em cada 4 acreditam não pagar imposto algum. A razão para isso, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa Tributária, se encontra na 
complexidade da carga tributária brasileira.



Nada menos do que 44% dos impostos pagos pelos brasileiros estão inclusos em produtos consumidos no dia a dia e cobrados de forma indireta. Em países como a França e os Estados Unidos, o valor chega a 25% e 18% respectivamente. Nestes países, tributar renda e patrimônio é a solução geralmente escolhida.


1. TAXA DE SAÚDE SUPLEMENTAR


No intuito de dotar suas 155 agências e órgãos de administração indireta de autonomia financeira, o governo federal buscou criar uma série de taxas cuja arrecadação bancariam os custos de regulação e fiscalização criados após as privatizações.

Criada em 2001 a Agência Nacional de Saúde Suplementar tem o intuito de regular e fiscalizar os mais de 1300 planos de saúde em atividade no país, que juntos somam 51 milhões de consumidores – aproximadamente 25% da população brasileira. Juntos os planos despendem anualmente R$ 143,9 bilhões em saúde.

Apesar de estar em um setor que movimenta tamanha soma de recursos, a ANS ainda é dependente do tesouro para funcionar. Cerca de 2/3 de seu orçamento, próximo de R$ 200 milhões, vêm dos impostos em geral; apenas 1/3 decorre das taxas cobradas pela agência.

2. CONDECINE


Reajustada recentemente, a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), é uma das bases de sustentação do Fundo Setorial de Audiovisual, o FSA. O intuito da contribuição é o de complementar a produção cinematográfica nacional não atingida pelos artifícios da Lei Rouanet.

O intuito é bacana. Afinal, fazer filmes independentes é o sonho de qualquer diretor preocupado com a arte e disposto a sacrificar o dinheiro público em nome da evolução do cinema – mas, e você com isso? Exatamente em que tudo isso lhe afeta?

O Condecine é uma das razões principais para o seu serviço de streaming, como o Netflix, ser tão limitado em relação a outros países. Graças a determinação da Agência Nacional de Cinema, obras estrangeiras disponíveis em catálogo devem pagar uma taxa de R$ 3 mil para produções com mais de 50 minutos, e R$ 750 para seriados com menos tempo de duração. Para expôr um filme brasileiro em catálogo, a taxa é de 20% deste valor.


3. CIDE COMBUSTÍVEIS


Criada em 2001, a Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), faz parte de um dispositivo constitucional para gerar arrecadação com objetivos vinculados. Atualmente, a maior e mais conhecida destas contribuições incide sobre gasolina, diesel e outros produtos correlacionados, como a querosene.

Por se tratar de um dos tributos que não necessitam de aprovação do Congresso para serem elevados (como o IPI ou o IOF), a CIDE é constantemente utilizada pelo governo para elevar a arrecadação em momentos de baixa receita – como em janeiro deste ano, quando o governo decidiu aumentar sua arrecadação em R$ 20 bilhões por meio de tributos como a CIDE. Outra função clássica é a redução do tributo para manter estável o preço da gasolina, ajudando assim a maquiar a inflação.

Por se tratar de uma contribuição com destino específico, os recursos deveriam ser destinados a melhorias em infraestrutura viária – seja na construção de rodovias ou duplicação e reparos nas rodovias federais. Um dispositivo conhecimento como Desvinculação de Receitas da União (DRU), permite ao governo, porém, utilizar estes recursos, como outros tantos até o limite de 20% do orçamento, para dar qualquer destinação que desejar, sem se limitar àquelas impostas pelo orçamento.

4. TAXAS SOBRE EDUCAÇÃO


A recente expansão do ensino superior no Brasil é comumente associada à expansão do crédito estudantil, em especial de programas como Prouni e FIES, que hoje atendem 1 em cada 4 estudantes de universidades privadas no Brasil. De acordo com dados do próprio MEC, porém, a expansão universitária, que elevou para mais de 7 milhões o total de alunos em cursos superiores no país, sendo 70% deles em instituições privadas, não foi afetado significativamente pelo FIES.

A expansão do setor está relacionada a fatores de mercado, como a introdução da Educação à Distância, reduzindo drasticamente os custos de estudo, e a consolidação do setor, que levou o Brasil a deter alguns dos maiores grupos de ensino do mundo – incluindo o maior deles, a Kroton, com 1,07 milhão de alunos, e a Estácio, com 536 mil alunos.

Para o governo, tal expansão representou uma significativa oportunidade de lucro. Além dos já tradicionais impostos sobre o setor de educação, que custam aproximadamente metade de uma mensalidade, foram introduzidas taxas de fiscalização para a criação de novos cursos. Com taxas, cobranças e outras receitas como estas, o Ministério da Educação obteve em 2014 faturamento de R$ 21,7 bilhões. Tal valor equivale a aproximadamente 2 vezes os cortes sofridos no ministério durante o ajuste de 2015.

5. FUNDOS SETORIAIS DE TELECOMUNICAÇÕES


Privatizadas em 1997, as operadoras telefônicas tornaram-se verdadeiras máquinas de arrecadar impostos. Ao todo, são R$ 53 bilhões anuais em impostos coletados apenas do setor – o que significa dizer que em um período de 2 anos, apenas com impostos, o governo passa a arrecadar mais do que com todo o valor levantado na venda das empresas.

As razões para impostos tão altos variam da baixa capacidade de sonegar e da importância de se consumir serviços de telefonia. Para além da tarifa mais cara do mundo, o aumento de custos em uma área considerada chave para as empresas do país é um transtorno a mais na já complicada situação de empreender no Brasil

O que pouco se sabe, porém, é que boa parte destes impostos possui uma destinação pouco clara. Os fundos setoriais de telecomunicações, como o Fust e o Fistel, surgidos juntos da agência nacional do setor, a Anatel, possuem funções das mais variadas – como fiscalização e expansão da rede, algo que apesar de bem definido na teoria, não se verifica na prática. Ao todo são R$ 6 bilhões anuais, em uma fortuna somada de R$ 48 bilhões até o momento, cuja função tem sido desvirtuada para garantir financiamento ao governo.

Fonte: A Nova Ordem Mundial
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