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"Governo atual não passa de 2016" diz Economista

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Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros já viu muitas crises, mas nada como a atual, em que tudo parece dar errado e não ha saída. “Hoje o que está matando é o sofrimento sem horizonte”, diz. O grande nó a ser desatado, para ele, é crise política e haverá troca de governo antes da próxima eleição. “Não há como conviver com esta falta de estabilidade”. A seguir trechos da entrevista que concedeu ao Estado.

Com qual cenário o sr. trabalha hoje? Da série nunca antes nesse País, temos hoje a existência simultânea de quatro coisas, que nunca vi antes com essa dimensão. O cenário internacional não é dramático, como em 2008, 2009, mas não nos ajuda. O tom geral é que a economia global está desacelerando. O segundo eixo é uma crise política. Terceiro é uma crise macroeconômica clássica. Queda no crescimento, no investimento, no emprego. Inflação alta. Taxas de juros sideral. O pior de tudo é o enorme desarranjo nas contas públicas, com o destaque de que esse desarranjo, junto com os juros altos, estão levando a relação entre o PIB (Produto Interno Bruto) e a dívida bruta para 70%.

Em quanto tempo? No ano que vem.

Por que 70% é um número tão importante?Podia ser 80%. Não é número em si, mas a velocidade com que ela sobe. O quarto item é uma crise microeconômica. Afeta vários setores que empurram o Produto Interno Bruto para baixo, principalmente a indústria pesada. Nós já vimos todos esses problemas mais de uma vez, mas tudo isso junto, ao mesmo tempo, eu não lembro. Não podia estar assim. A presidente acabou de ser reeleita. O que nos parece é que a crise está sendo e será mais profunda do que anteciparam. Nossa impressão também é que ela vai ser mais rápida. Alguma coisa vai ter de acontecer até a eleição municipal do ano que vem.

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