O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, que a Petrobrás foi saqueada por aqueles que deveriam defendê-la. E cobrou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, ambos do PT, que assumam a responsabilidade por essa grave crise provocada pelos escândalos que assolam a estatal petrolífera. "Eles não podem simplesmente dizer que sempre houve corrupção, há um fato grave ligando setores do governo com empresas estatais, setores políticos e privados, e tudo isso tem de ser passado a limpo."
<p>Ex-presidente critica Dilma e Lula.</p>© Foto: Paulo Liebert/Estadão Conteúdo
FHC rebateu também as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de que em seu primeiro mandado teria ocorrido a abertura da 'porteira de corrupção' na Petrobrás. Isso porque o ex-presidente tucano editou, em 1998, o decreto 2.745 que regulamentou o regime diferenciado simplificado de contratações da estatal, dispensando-a das limitações impostas pela lei de licitação (8.666). "Desviar o foco da situação para o passado é manobra que não se sustenta e este decreto poderia ter sido revogado nos 12 anos de gestão petista, caso ele fosse a causa real da corrupção", disse o tucano
Segundo Fernando Henrique, o decreto editado em sua primeira gestão à frente da Presidência da República tinha o objetivo de permitir maior competitividade à estatal, em razão da grande concorrência com as petrolíferas estrangeiras. E ironizou: "Não imaginava que houvesse frouxidão de critérios, que ocorreu posteriormente, nos governos petistas (de Lula e de Dilma)."
Momento delicado.
Na entrevista ao Broadcast Político, FHC disse também que está muito preocupado com a situação do País. "Este é um momento delicado", destacou, afirmando que não vai se furtar a uma eventual conversa com Dilma e Lula em prol da busca de soluções para a atual crise que assola o País. Contudo, disse que a premissa para que isso ocorra é que Lula e Dilma assumam, primeiro, suas responsabilidades por essa situação, "mesmo que não sejam culpados pessoalmente (pelo escândalo na Petrobrás)".E disse que se essa conversa ocorrer, gostaria que fosse com uma pauta pública.
Ao falar da preocupação com a atual situação brasileira, o ex-presidente tucano citou especificamente a econômica e a social. "A social está apenas começando, mas me preocupa muito porque pode piorar bastante". Sobre a Petrobrás, ele disse ainda que, a despeito de tudo, ela é uma grande empresa e precisa ser livre, competitiva, transparente e prestar contas à sociedade.